11 de Setembro de 2006

07 O QUE UM HOMEM PRECISA DE SABER

A ARTE DA GUERRA E TAL…

De forma infundada, reconheço-o, mas com uma certeza digna de um qualquer ditadorzeco latino-americano, afirmo: rapazes, vocês andam a laborar sobre um equívoco, ou seja, foram desinformados pelo inimigo. Muito provavelmente, esse inimigo é um dos vossos amigos mal casados e tem por objectivo estragar-vos a vida de solteiros e/ou a perspectiva de arranjarem uma namorada/mulher fantástica. Porquê? Porque as pessoas infelizes e invejosas azedam e amargam tudo em seu redor. Mais precisamente, esse amigo disse-vos, Com as mulheres é preciso pressionar... ERRADO! Escrevam na sebenta cinquenta vezes e depois passem a limpo: quando elas querem que se insista, nota-se.
Como a minha generosidade quase não conhece limites, estou disposta a isentá-los, parcialmente, da responsabilidade sobre tão impertinente, inconveniente e cansativo comportamento. Por dois motivos. O primeiro deles: acredito que leitura de determinados conteúdos, em idades em que o nível de abstracção do leitor não é tão elevado quanto deveria, não é benéfica. Portanto, se tem entre os 18 e 100 anos de idade, e pensa que A ARTE DA GUERRA é só sobre a guerra à moda da China de outros tempos e, roubando um clássico de confessionário, está arrependido de seguir os maus conselhos de amigos estragados e não tenciona voltar a pecar, fique por aqui. O segundo motivo: você ignorou o Sun Tzu. Ai, isso era antes, agora temos de ser sensíveis e mais não sei quê e ele era chinês… Não se enterre mais. Se serviu para a guerra, se serve a luta empresarial e se facilita o sucesso, serve para si que não está num plano existencial acima deste. Não entre em pânico que não vou discorrer sobre os treze capítulos do livro! Pelo menos, não hoje. Para a eventualidade de pensar Ah, mas eu queria era conquistá-la, não guerreá-la. Preste bem atenção às palavras… não há conquista sem guerra e nenhuma conquista é definitiva. Além do que, não há qualquer erro em conquistar alguém que quer ser conquistado para um amor feliz.
Vamos, então, ver o que disse o senhor Sun do alto dos seus mais de dois mil e quinhentos anos sobre o tema deste post: o insistir, o pressionar. Mas antes, só uma coisinha de nada, uma informação e esta, sim, há que repeti-la, até à exaustão caso seja necessário: diz o nosso amigo general que quem se conhece e conhece o outro, jamais corre perigo; quem se conhece, mas não conhece o outro, alterna perdas e ganhos; quem não se conhece nem conhece o outro, estará sempre em perigo. A boa notícia é que se pode passar de uma situação de perdedor para uma situação de vencedor, bastando para isso investir na aquisição do conhecimento em falta. Agora sim, a insistência e a pressão. De acordo com Sun Tzu uma guerra não deve ser muito demorada. E, ao contrário dele, não estou só a pensar na moral das tropas, mas na sua. Não só é cansativo como esgota os recursos e deixa o atacante, você, numa posição de vulnerabilidade até diante de si mesmo. Enfraquece-o. Ora isso abre espaço ao senhor que segue, e você não quer que tal coisa aconteça, pois não? Só há uma excepção a esta regra: o cerco. Claro, como se trata de uma excepção, não é para todos ou para todas as circunstâncias. Apenas para situações excepcionais e específicas: as tropas atacantes têm de ser dez vezes superiores em número e obriga a que conheça bem a cidade que está a cercar: o seu governo, a população, os recursos, o terreno, o clima, as entradas, as saídas… De outra forma deixa de ser um risco calculado para ser um desastre irrecuperável. Esqueça! Pelo menos por agora.
Mas antes de abrir as hostilidades propriamente ditas, antes de se decidir a partir para a guerra, avalie objectivamente as duas forças: a sua e a dela. Esta é uma boa altura para desistir se não estiver à altura. Se fizer esta avaliação da forma correcta conhecerá anticipadamente o desfecho da sua acção. Se começa já a dizer que isto é muito taoista para si, vamos ter dificuldades. Adiante. Aproveite e avalie que isto já vai traduzido em A ARTE DA GUERRA AMOROSA.

1 Se está convicto de que este é o momento certo para iniciar a sua ofensiva amorosa
2 Se a sua estratégia de sedução é adequada à superioridade, ou inferioridade, da força dessa mulher fascinante
3 Se todos os que ocupam um papel relevante e definitivo na sua vida aceitam e aprovam a sua decisão de conquista
4 Se está preparado e ela despreparada
5 Se ninguém com ascendente sobre si interfere na sua decisão

Se sim a tudo, dentro de pouco tempo andará a sorrir com um ar de tolo de fazer inveja a qualquer passante que se cruze consigo. Não sou eu que o digo. É a sabedoria do nosso amigo. Detalhes sobre o tipo de ataque conforme as características topológicas, terreno mais ou menos acessível; ou do tipo de general, mais ou menos arrogante e do próprio atacante, mais ou menos dissimulado, tem de ser para outro dia. Olhe, vá lendo ou relendo o tratado em questão.

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